junho 18, 2018

DOCUMENTÁRIO SOBRE OCUPAÇÃO EM RECIFE


EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA / EDIÇÃO DE VÍDEO: FABSON GABRIEL
FOTO E TEXTO: THAYS MARTINS

Esta produção laboratorial em videojornalismo, intitulado "Meu Lar", foi guiado pelo olhar das pessoas que fazem parte da Ocupação Carolina de Jesus, localizada ao lado do Terminal Integrado da Estação Barro, zona oeste do Recife. Atualmente, a ocupação possui mais de mil barracos. A produção é apresentada em vídeo, mas composto também por fotos, em que é abordado a questão da luta por moradia, como também registros da rotina e arredores da localidade. O produto é resultado final do trabalho dos estudantes Fabson Gabriel e Thays Martins para a disciplina de Fotojornalismo, ministrada pelo professor José Afonso Júnior, do Departamento de Comunicação da UFPE. Você pode assistir ao documentário clicando aqui.



Na sexta-feira do dia 17 de fevereiro de 2017, cerca de 900 famílias ocuparam um terreno abandonado ao lado do Terminado Integrado do Barro, localizado na Zona Oeste do Recife. A área representa cerca de 12 mil metros quadrados e pertence ao Governo de Pernambuco, que pretendia utilizar o local na reforma do terminal integrado do Barro, como parte das obras para a Copa do Mundo 2014.

Foto Thays Martins/ Edição Fabson Gabriel

A reforma foi concluída, mas a área não foi utilizada, ficando abandonada por três anos, até que diversas famílias, organizadas pelo Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST), decidiram ocupar o terreno inutilizado, com objetivo de conseguir o direito de uma moradia digna. Após a ocupação ocorrer, um efetivo da Polícia Militar foi enviado até o local para reprimir a ocupação, mas as famílias resistiram fortemente, fazendo com que a polícia recuasse. Desde então mais famílias permanecem no local carregando consigo o sonho de ter uma casa própria. Parte dos ocupantes vive no mesmo bairro, pagando – ou devendo – meses de aluguel. A ocupação abordada na produção "Meu Lar", escolheu o nome da Ocupação é Carolina de Jesus, uma homenagem a poetiza que se alfabetizou de forma autodidata e que discutiu a luta urbana e pela cidade. O vídeo trata de questões da ocupação, através do olhar das pessoas que moram no local, dando voz a quem não têm espaço na mídia convencional.
Foto Thays Martins/ Edição Fabson Gabriel


Foto Thays Martins/ Edição Fabson Gabriel


Contar histórias de algumas pessoas e líderes da ocupação Carolina de Jesus, localizado ao lado do Terminal Integrado da Estação Barro, no Recife, para mostrar sua realidade, sem transformar num espetáculo. Apresentar, a partir da produção audiovisual (vídeo) e visual (fotografias introduzidas ao vídeo), a realidade dura vivida pelos participantes da ocupação organizada pelo Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), localizada em um local de grande movimentação. O espaço dado pela Produção laboratorial em videojornalismo tem a possibilidade de dar voz a pessoas que são ignoradas pela mídia convencional.
Foto Thays Martins/ Edição Fabson Gabriel



A Região Metropolitana do Recife possui o título de maior déficit habitacional de todo o Nordeste, estimado falta de 131 mil habitações para suprir este déficit. Porém, a demanda por habitação continua em crescimento, tendo um valor de imóveis e aluguéis cada vez mais alto, as famílias com poder aquisitivo menor estão procurando uma maneira se assegurar o direito básico a moradia que consta na constituição brasileira. Com base no déficit habitacional do processo conflitual de urbanização da sociedade brasileira e a rápida mudança da paisagem urbana, a necessidade de gerenciar a memória dessas transformações espaciais e das formas de sociabilidade urbanas ao longo do último século norteou o estudo de Kossoy (1989) foi utilizado como ponto de partida para alguns aspectos desta produção em videojornalismo. Kossoy (1989), em Fotografia & história, aponta para a necessidade de pensar a tríade sujeito (fotógrafo), técnica (equipamento) e assunto (a história do tema abordado). Segundo Kossoy, o assunto deve ser colocado no seu tempo e gênero específicos: retrato, vistas urbanas, álbum de família, último retrato ou fotorreportagem. Para esse autor, o assunto tem uma lógica própria que extrapola os quadros da imagem fotográfica, sendo necessário para discutir um determinado tipo de fotografia compreender o percurso histórico do assunto: seja a das formas de representação do poder da classe dominante, seja o jogo político ou a cidade. A partir de então, a luta pela moradia continua encontrando dificuldades, e com a ocupação Carolina de Jesus não foi diferente. Além da tentativa de remoção dos primeiros dias de ocupação, que resistiu bravamente, eles convivem diariamente com o preconceito das pessoas que não conhecem a realidade e objetivos da ocupação, estereótipo reforçado pela ausência de coberturas honestas pela mídia convencional. Pensando nisso, esta Produção laboratorial em videojornalismo produziu um produto em que a narrativa é construída por moradores da ocupação, como uma forma de apresentar a população a realidade das pessoas e líderes da Carolina de Jesus. Portanto, a produção do vídeo na ocupação Carolina de Jesus foi inspirada pela questão da luta por moradia digna, que é historicamente negada as populações carentes mesmo sendo um direito fundamental do povo brasileiro. Como é um direito básico e o Estado não cumpre, as populações se mobilizam para reivindicar seus direitos. Essa realidade, portanto, consiste de um processo distópico da sociedade, documentado através desta produção em vídeo.
Foto Thays Martins/ Edição Fabson Gabriel



Foram utilizadas técnicas de apuração com um líder do MTST, assim como também pré-entrevistas com ocupantes da Carolina de Jesus. Após este processo, foram realizados registros fotográficos da ocupação e da rotina dos moradores com uma Canon 60D, com lentes de 50mm e 18-135mm, com diversas variações de configurações para realizar os registros. Em seguida, foram gravados vídeos com os depoimentos de personagens que se destacavam por sua história e relevância na ocupação, tendo em vista um relato sobre a ocupação pelos próprios ocupantes, com opiniões e histórias pessoais que evidenciem a tensão e vivências existentes. Foi pretendido que os relatos fossem dados pelos próprios ocupantes, dando voz e protagonismo aos ocupantes. As fotografias foram tratadas com o aplicativo Adobe Photoshop Lightroom. Já os registros audiovisuais foram editados através do Wondershare Filmora.
Foto Thays Martins/ Edição Fabson Gabriel


Procedimento Geral: estivemos na Ocupação Carolina de Jesus e realizamos gravações e registros fotográficos. Acompanhamos personagens pré-selecionados e dispostos a nos mostrar situações cotidianas e que, de alguma forma, nos remetam a questão central da produção laboratorial, demonstrando suas lutas, seus desejos e conquistas. Nos colocamos em uma imersão quase total no cotidiano daquela comunidade, uma "pesquisa de campo" e conversas com um líder do MTST precedeu a visita a ocupação, construindo uma definição da antropologia. No produto final, foram colocadas as fotos ao mesmo tempo em que os personagens contavam suas histórias. Personagens de entrevistas individuais: realizamos entrevistas com Lindinalva Maria da Silva, coordenadora da Ocupação no Barro. Josefa Antonia Conceição, ocupante e comerciante local. Andréa Alves de Almeida, ocupante. Marisa Ramos, ocupante.

Foto Thays Martins/ Edição Fabson Gabriel

Esta produção perpassou por dificuldades logísticas para chegar até a ocupação em horários viáveis, a fim de realizar os registros. Os equipamentos fizeram parte da segunda dificuldade, tendo em vista que foi necessário a aquisição de um microfone lapela para gravar sem a interferência dos ruídos produzidos pela via lateral da ocupação, que dá acesso ao terminal integrado do Barro. Após tais processos de produção, o resultado final supriu todas as dificuldades, pois o objetivo deste trabalho foi dar espaço de fala a pessoas que não possuíam espaço na grande mídia convencional - com um produto honesto - o que foi alcançado com sucesso.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Disponível no site: http://www.mtst.org/. Acessado em agosto de 2017. 

BARTHES, Roland. A Câmara Clara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

KOSSOY, Boris. Fotografia & História. São Paulo: Ática, 1989.

NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Campinas: Papirus, 2005. 

Oi, tudo bom? Se você chegou aqui realmente deve estar interessado no meu trabalho. Espero que eu tenha alcançado as suas expectativas ou quase lá. Esse aqui foi mais um trabalho feito com todo o amor e dedicação. Espero que assim como eu, você tenha aprendido algo. Vamos conversas nas redes sociais?

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