junho 18, 2018

Exposição Fotográfica na UFPE


O ensaio “Corpos” surge da percepção artística do corpo humano feminino, através da captação de movimentos alheios. Os registros seguem o mesmo padrão estético e retratam o corpo como instância máxima da expressão material do nosso eu. A proposta, ao fazer as fotografias, foi captar a expressividade do corpo movente através da fotografia instantânea. Foi utilizado fundo preto e pó branco para simultaneamente promoverem contraste e enfatizarem a dinâmica do movimento na captação. 

O ensaio “Corpos” surgiu como trabalho de conclusão da disciplina Introdução à Fotografia. Durante as aulas, pratiquei diversas formas de registros fotográficos. Embora estivesse livre para escolher qualquer gênero, optei pela fotografia artística. A nota final foi composta pela realização de uma exposição que teve como tema geral o corpo. A Exposição Corpus aconteceu nos dias 16 e 17 de dezembro de 2015 no Centro de Artes e Comunicação da UFPE, sob a orientação da Prof.ª Fernanda Capibaribe. 

A escolha desse formato se deu pela possibilidade estética e subjetiva que a vertente permite. Em outros gêneros fotográficos são exigidos estilos estéticos canônicos. Eu quis brincar com a estética e subjetividade. A fotografia artística exige criatividade e particularidade. Esses dois elementos constituiu uma atmosfera única no desenrolar do ensaio. 



A proposta, particularmente, foi muito bem resolvida. Eu quis capturar movimentos corporais alheios. Usei dois elementos cênicos para marca-lo. O primeiro, a utilização de um fundo preto e o segundo, o uso de trigo para demarcar ainda mais a movimentação. A fotografada usou vestimentas que remetem a cor da pele, uma forma simples de elucidar o corpo. 

Para obter o resultado que materializam o ensaio “Corpos” foi utilizada uma câmera digital, sendo esta uma Canon PowerShot SX160 de lente de ângulo largo de 28mm. A abertura do diafragma, o alcance focal e a velocidade do obturador variaram de acordo com a imagem, como uma forma de reafirmar a liberdade estética e criativa no momento da captura. No entanto, preocupei-me em manter certo padrão estético entre os registros ainda que cada imagem possua sua singularidade. Dos elementos que se repetiram estão eles entre as dimensões de 4608 x 3456 para todas as fotos, a velocidade ISO 800 para as fotografias sem flash e ISO 320 para as com flash. Houve variação quanto à exposição e o comprimento focal. 


As imagens foram capturadas no dia 30 de outubro de 2015, entre as 14h e 17h, com luz natural de uma tarde ensolarada no quintal da casa da modelo onde foi instalado o fundo preto na parede do muro que circunda o local. 

O ensaio gerou imagens nas dimensões de 4608 x 3456, sendo 4608 pixels de largura e 3456 pixels de altura com resolução horizontal e vertical de 180 dpi que variaram entre 4MB e 7,70MB. Foram produzidas ao total 98 fotos, sendo cinco posteriormente selecionadas.




Para a materialização do ensaio “Corpos” foram utilizados aparatos comuns da cena fotográfica. Inicialmente verifiquei a luminosidade do local com a câmera digital Canon PowerShot SX160 IS, no qual realizei o ensaio. O teste inicial se deu com a utilização do pó. Jogamos o pó no ar, e em seguida, fizemos a primeira captura. Não deu certo. Estava muito claro. Diversos testes foram feitos, alguns com o recurso flash e outros não. Cheguei à conclusão de que não deveria usar o flash, embora duas fotos do ensaio contenham a utilização do mesmo.

O relógio marcava mais de 3:00 p.m. quando montamos a estrutura. O cenário foi composto apenas por um fundo negro. Esse fundo foi feito com tecido TNT preto e instalado numa parede sem teto. Todas as fotos foram registradas sob a luz do sol, e três delas sem recursos de iluminação artificial (no caso, do flash). 

Instalei a câmera sobre o tripé na altura de 150 cm e pedi para que a modelo realizasse movimentos alheios com os braços enquanto ora arremessava pó para o alto ora quando o pó era arremessado em sua direção.

Foi necessário fazer registros precisos para que o movimento corporal interagisse com o pó. A valorização do corpo sempre foi o objetivo do ensaio. Barthes pontua sua preocupação ao estar diante de uma câmera:

Posando diante da objetiva (quero dizer: sabendo que estou posando, ainda que fugidiamente), não me arrisco tanto (pelo menos por enquanto). Sem dúvida, é metaforicamente que faço minha existência depende do fotógrafo. Mas essa dependência em vão procura ser imaginária ( e do mais puro Imaginário), eu a vivo na angústia de uma filiação incerta: uma imagem — minha imagem — vai nascer: vão me fazer nascer de um indivíduo antipático ou de um “sujeito distinto?” (BARTHES, 2015)

No ensaio “Corpos”, fez-se surgir um novo indivíduo, do qual não constitui do mesmo indivíduo que o representou. A modelo dá vida exclusivamente ao seu corpo e se firma através dele. Nota-se que não há apresentação exclusiva da face da modelo. O rosto é quase deixado em segundo plano, e o corpo é exaltado. Isso ocorre devido à temática proposta pela Exposição Corpus e principalmente pelo ethos do ensaio. 

O enquadramento foi mantido o mesmo na maioria das fotos. A modelo está sempre no centro da imagem interagindo com o pó. Personifica-se um eu próprio do corpo que está além do eu da modelo. A valorização do tronco, membros superiores e cabeça fazem parte do roteiro de exploração corporal do ensaio.

A etapa final se deu com o tratamento das fotografias escolhidas. Cinco fotos compõem o ensaio “Corpos” e destas, todas foram finalizadas no Pixlr. O recurso de tratamento consistiu apenas em remover possíveis ruídos que descaracterizavam as fotos.

Dia da Exposição Corpus







REFERÊNCIAS 

SONTAG, Susan. Sobre Fotografia. São Paulo. Editora Companhia das Letras, 2004.
BARTHES, Roland. A Câmara Clara. Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira, 2015.

Oi, tudo bom? Se você chegou aqui realmente deve estar interessado no meu trabalho. Espero que eu tenha alcançado as suas expectativas ou quase lá. Esse aqui foi mais um trabalho feito com todo o amor e dedicação. Espero que assim como eu, você tenha aprendido algo. Vamos conversas nas redes sociais?

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